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11/08/2016 - Circuito Projeto de Vida
“Quero um amor maior que eu”: encarando a espiritualidade como um caminho de busca.

Os jovens de todos os tempos buscam a felicidade

Doc. 85 da CNBB, nº 1

 

De uma forma ou de outra, a maioria das pessoas seguem a vida em busca, ou cultivando um amor. Amar e ser amado são atitudes fundamentais para a vida humana, pois nos possibilitam segurança, e para além disso alguém em quem confiar.  Alguém, diante do qual não temos vergonha de sentir o que sentimos, de chorar nossos medos, partilhar das nossas fraquezas, rir de nossas “bobeiras”, enfim, de ser quem somos. As pessoas e grupos que nos oferecem este aconchego nos marcam profundamente. Isso porque:

 

Temos sede de amor…

Fome de confiança…

Desejo do infinito…

 

Jota Quest, em uma de suas músicas, assim traduziu este anseio: “Quero um amor maior, um amor maior que eu”. E esse amor, quando encontrado nos humaniza, nos impulsiona ao novo, entusiasma-nos a viver.  Não seria isso a felicidade?

No cristianismo essa experiência, desde os primeiros discípulos, gerações têm encontrado em Jesus e seu projeto uma causa para “gastar” a vida, afinal o Reino de Deus é isso: caminho de felicidade, encontro com o outro, humanização, aconchego, “amor maior”. Este jeito de trilhar a vida é expresso num ensinamento de São Marcelino Champagnat: “É fazendo os outros felizes que encontraremos a nossa felicidade”. Ou então, poderíamos dizer: “é amando os outros que encontramos o nosso amor maior”.

Para nós cristãos, este caminho se constrói no seguimento de Jesus que nos chama a encontra-lo, conhecê-lo, ouvi-lo e praticar o que Ele ensinou. Acreditamos, pois, que “conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria”. (DAp. 29). Tal realidade é para nós uma grande novidade, já que na antiguidade os mestres convidavam a se vincular com algo transcendente e Jesus pede para nos encontrarmos e nos conectarmos com Ele. A partir desse encontro somos chamados a intensificar nossa resposta de fé, na prática das bem-aventuranças do Reino, imitando sua obediência filial ao Pai, sua compaixão, sua proximidade aos pobres e aos pequenos, sua fidelidade à missão recebida e seu amor serviçal até à doação de sua vida (Cf. DAp., 139).

Para trilharmos esse caminho, uma vez que dificuldades, e não poucas aparecerão, gostaríamos de partilhar alguns “toques” que encontramos no evangelho de Lucas e que podem nos ajudar a viver bem esse seguimento, essa espiritualidade.

O primeiro é sobre a oração. Falar de oração é falar do tempo que gastamos com que amamos. É encontrarmos e conhecemos aquele que nos ama.  O capitulo 11 começa com uma história conhecida nossa. Jesus ensinando para os discípulos o Pai-Nosso (Lc 11, 1-4), a oração do “amor maior”. Nela expressamos diante de Deus três atitudes que ajudam em nosso caminho. (1) A experiência da fraternidade: Deus é nosso pai. Todos somos irmãos. (2) O pedido de sustento e não para a acúmulo e a (3) experiência do perdão. Somos mais do que nossas limitações e sofrimentos.

O Segundo ponto é a confiança em Deus. Nos versículos que seguem temos uma parábola que fala justamente sobre esse tema (Cf. Lc 11, 5-8). Deus sabe o que passamos e do que precisamos. É necessário acreditar, Ele que acompanha a nossa vida e nos direciona para o bem, dá confiança e segurança para caminhar. Porque Deus não só gosta da gente, mas é próximo, se faz próximo. Não sei se você já reparou, mas há uma oração que diz: “Oh, tu que sempre quiseste estar tão perto de nós, vivendo conosco no Cristo, falando conosco por ele”… Jesus é o sinal deste grande desejo de Deus: estar perto.

Talvez você possa estar se perguntando: como trabalhar mais a minha espiritualidade? Como viver isso no dia a dia? A dica para essa pergunta vem de uma atitude de Maria que é elogiada por Jesus Diz ele: “Feliz é quem ouve a Palavra de Deus e a põe em prática”. (Lc 11, 27-28). Não só Maria o fez, mas muitos outros souberam ouvir a Palavra de Deus e coloca-la em prática. Um outro exemplo é Paulo, que de perseguidor passou a ser seguidor de Cristo.

Está aí um bom caminho para a felicidade, para a saciedade de nossas angústias, para encontrar um amor maior. Ouvir a Deus que nos fala pelos sinais dos tempos: na vida, nas pessoas, nos fatos, na sua Palavra. Dar espaços para estes apelos no projeto de vida é imprescindível para a felicidade.

Um caminho de aproximação d’Aquele que sempre deseja estar perto. Um caminho de pôr nossa confiança n’Aaquele que nos amou por primeiro. Assim podemos entender a espiritualidade. Porque no fundo o que cada um de nós deseja é “um amor maior”.

 

Ir. JoilsonIr. Joilson Toledo, fms

 

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É ser religioso de calça jeans e tênis.
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